As escolhas mais importantes da vida quase nunca são as mais fáceis. Na maior parte das vezes, elas não vêm acompanhadas de certezas, mas de dúvidas, medos e daquela sensação incômoda de estar apostando em algo que não oferece garantias. O interessante é que, quase sempre, são justamente essas escolhas que carregam mais valor.
Ao longo do meu caminho, fui entendendo isso na pele. Conheci a vida como ela é, essa delicinha complexa, exigente, viva e finita.
Foram nesses treze anos de caminhada pela psicologia, e não em um único momento, que algo tem se tornado claro para mim: trabalhar não é apenas executar funções ou acumular competências. Trabalhar é investir tempo de vida (a maior parte dele) em uma ação.
O trabalho ocupa um lugar central na nossa existência. Ele pode esvaziar, endurecer e adoecer. Mas também pode organizar, sustentar e dar sentido à vida.
A Logoterapia me ajudou a compreender e dar um nome bonito àquilo que me fazia persistir: sentido. Aprendi que o ser humano não busca apenas conforto ou alívio do sofrimento. Busca sentido. E sentido não é algo fixo, pronto ou definitivo. Ele se constrói nas escolhas que fazemos, especialmente quando - quase nunca - existe um caminho claramente “certo” ou “errado”.
Porque, caro leitor, na vida real, não temos diante de nós um caminho bom e outro mau. Temos muitos caminhos possíveis e quase nenhuma garantia de onde eles vão dar. Sendo assim, as escolhas não deveriam se dar pela ausência de medo, mas pelo peso daquilo que é mais importante para nós em determinado contexto de vida.
Escolher é, quase sempre, renunciar. E renunciar só é possível quando conhecemos os motivos pelos quais continuamos a viver.
Com o tempo, aprendi também algo fundamental: o sentido muda. Aquilo que fazia sentido há alguns anos pode não fazer mais hoje. E que bom! A vida muda. Nós mudamos. Permanecer fiel aos valores não significa permanecer preso às mesmas formas de existir. Crescer exige revisão, deslocamento e, muitas vezes, coragem.
Se este texto encontrar você em algum ponto do seu caminho, seja como estudante, profissional ou alguém repensando suas escolhas, então eu cumpri minha missão do dia. Porque, no fundo, é disso que se trata: fazer diferença na vida daqueles que encontramos.
Sigo semeando.
Mayara Dantas
